Fabricantes de aço no Brasil inauguram nova leva de reajustes

By 25 de julho de 2018Notícias

As fabricantes de aço do Brasil, com destaque para as usinas de chapas laminadas, inauguram nesta sexta-feira (24) nova leva de reajustes nos preços de seus produtos para os mercados de distribuição e industrial, como linha branca e de máquinas e equipamentos.
A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) começa a aplicar, no dia 27, aumento de 12,25% para bobinas a quente e a frio e 10,75% para o material galvanizado (zincado). No início do mês, a empresa reajustou as folhas metálicas (usadas na fabricação de embalagens) em 9,75%. Foi o primeiro do ano, disse um cliente.
Segundo uma fonte do setor, a siderúrgica começa também a discutir com montadoras de automóveis um reequilíbrio de preços, alegando impacto do câmbio em sua planilha de custos. Tradicionalmente, as negociações com as fabricantes de veículos são fechadas no início do ano. Em janeiro, a alta foi de 18% a 23%.
Em junho, a CSN já havia repassado aumento de 11,75% para as chapas a quente e a frio e 8,25% para as zincadas. Esses produtos são usados tanto na fabricação de máquinas, equipamentos, botijões de gás, tubos, construção civil, implementos agrícolas e rodoviários, autopeças como em geladeiras, freezers e nos automóveis.
Usiminas, ArcelorMittal e Gerdau devem vir com novas tabelas de preços, em patamar acima de 10%, a partir do início de agosto, disse outra fonte do setor.
Nos aços longos, voltados para a construção civil e obras de infraestrutura, a CSN reajustou os vergalhões em 12% em junho e anunciou mais 6% neste mês. Outros fabricantes, como ArcelorMittal, Gerdau e Simec seguem trajetória parecida, uma vez que atuam nos mesmos mercados e tem custos de produção similares.
As justificativas das empresas para os reajustes são várias: vão desde a manutenção de alta dos preços do aço no exterior, o que faz com que os prêmios de internação de material importado fiquem zerados ou até negativo, até a variação do câmbio e alta do carvão metalúrgico, uma das principais matérias-primas depois do minério de ferro.
Quando o dólar foi a R$ 3,90, explicou uma fonte, o prêmio do aço nacional em relação ao importado chegou a ficar entre 12% e 14% negativo, dependendo do produto. Ou seja, comprava-se aço fabricado no Brasil bem mais em conta.
Na China, o preço da bobina a quente, referência do mercado internacional, está na faixa de US$ 590 a US$ 600 a tonelada (R$ 2.250,00).
Nos Estados Unidos, a mesma tonelada desse produto é vendida a US$ 1.015. Em dezembro, valia US$ 700 — alta de 45%. Uma expressiva parte desse aumento é fruto da sobretaxa de 25% da política de Donald Trump sobre o aço importado, anunciada em meados do semestre passado.
Procuradas, as siderúrgicas informaram que não comentam suas relações comerciais com clientes.