Confiança do consumidor recua ao nível de junho, aponta FGV

By 26 de setembro de 2018Notícias

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), teve queda de 1,7 ponto em setembro, para 82,1 pontos, após marcar 83,8 pontos um mês antes. Com o resultado, o índice retorna ao nível de junho passado, quando a confiança havia sido abalada pela greve dos caminhoneiros do mês anterior.

Enquanto as avaliações sobre a situação atual tiveram ligeira melhora no período, as expectativas para os próximos meses pioraram. O Índice de Situação Atual (ISA) subiu 0,9 ponto, para 72,3 pontos, recuperando parte das perdas do mês anterior, e o Índice de Expectativas (IE) recuou 3,3 pontos, ao passar de 93 para 89,7 pontos, o menor nível desde fevereiro de 2017 (89,0 pontos).

O indicador que mede o grau de satisfação com a economia no momento caiu 1,1 ponto em setembro, retornando ao nível de junho (77,5 pontos). Com relação às perspectivas para os meses seguintes, o indicador que mede o otimismo com relação à evolução da economia recuou 3,4 pontos, ao passar de 103,4 pontos em agosto para 100 pontos, o menor desde maio de 2016 (100 pontos).

As avaliações sobre a situação financeira das famílias melhoraram em setembro, mas continuam em patamar baixo em termos históricos. O indicador que mede a satisfação dos consumidores subiu 2,8 pontos, para 67,6 pontos. Com relação aos próximos meses, os consumidores projetam uma piora da situação financeira das famílias, com baixa de 3,7 pontos no indicador, que foi de 95,4 pontos para 91,7 pontos, o menor desde junho (91,1 pontos).

Pelo segundo mês consecutivo, diminuiu o ímpeto para compras, confirmando a cautela dos consumidores com os gastos futuros. O indicador que mede a intenção de compras de bens duráveis cedeu 2,5 pontos, para 78,7, menor nível desde a paralisação dos caminhoneiros.

A queda da confiança em setembro foi influenciada pelos consumidores de menor poder aquisitivo. O ICC dos consumidores com renda familiar mensal até R$ 2.100 recuou 3,9 pontos, influenciado pela deterioração das perspectivas futuras. Os consumidores com renda familiar entre R$ 2.100,01 e R$ 4.800 também tiveram perda de confiança no período, e o índice declinou 1,8 ponto, após três altas consecutivas, influenciado pela piora das avaliações sobre a situação atual.

“O resultado parece estar diretamente relacionado à situação financeira das famílias e à lenta recuperação do mercado de trabalho. Apesar de adicionar dúvidas, o cenário político-eleitoral não parece ser o principal fator para a queda do indicador em setembro. Na análise por faixas de renda, nota-se uma queda forte da confiança de consumidores de menor poder aquisitivo e uma alta moderada da confiança dos consumidores de maior poder aquisitivo”, afirma Viviane Seda Bittencourt, coordenadora da Sondagem do Consumidor, em comentário no documento.

O levantamento coletou informações de 1.925 domicílios entre os dias 1º e 19 de setembro.