Indicadores sugerem mais um mês fraco para indústria

By 17 de outubro de 2018Notícias

Os indicadores antecedentes já disponíveis para a atividade em setembro sugerem mais um mês fraco para a indústria, após dois meses de quedas na produção em julho e agosto. Itaú, Bradesco, MCM e LCA projetam preliminarmente retração na atividade industrial no nono mês do ano, enquanto a Tendências vê alta moderada na margem. Apesar do cenário pouco animador, o terceiro trimestre deverá ser de crescimento para a indústria em relação ao segundo trimestre, devido à base deprimida pela forte queda da produção em maio, em decorrência da greve de 11 dias dos caminhoneiros. Em setembro, a confiança da indústria divulgada pela Fundação Getulio Vargas (FGV) recuou 3,6% em relação ao mês anterior, com ajuste sazonal. A produção de veículos caiu 7,8% na mesma comparação, conforme a Anfavea, entidade representativa das montadoras. O tráfego de veículos pesados nas estradas diminuiu 1,4%, segundo a Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR). Já a expedição de papelão ondulado encolheu 1,8%, conforme a Associação Brasileira do Papelão Ondulado (ABPO). Os dados foram dessazonalizados pelas próprias entidades ou pela Tendências Consultoria. “Para setembro, dados todos os antecedentes já divulgados, estamos vendo uma queda de 1,2% da produção na margem e de 1,1% na comparação interanual”, afirma Felipe Salles, economista do Itaú Unibanco. Ele estima uma alta de 3,2% para a indústria no trimestre, na margem, e de 0,6% no PIB do período. A Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física (PIM-PF), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou queda de 10,9% na produção em maio, compensada por forte avanço de 12,7% em junho. Nos meses seguintes, o setor praticamente “andou de lado”, com variação negativa de 0,1% em julho e queda de 0,3% em agosto. Assim, se confirmada a projeção do Itaú, setembro seria o terceiro mês no vermelho para a indústria. O Bradesco também aposta em queda para o setor em setembro. Além dos indicadores já citados, o banco considera a produção de açúcar e etanol divulgada pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) nas suas estimativas. Os dois indicadores tiveram baixas de 42,8% e 6,2% em setembro, na base interanual. “Esses resultados, somados a outros indicadores coincidentes já divulgados, apontam para nova queda da produção industrial em setembro”, escrevem os economistas, em relatório. Já a MCM Consultores estimava preliminarmente uma retração de 0,1% para a produção industrial em setembro, logo após a divulgação do dado de agosto. Revisou essa projeção para retração de 0,5% com os dados de Anfavea e ABPO e, agora, estima uma baixa de 0,7%, após a divulgação dos fluxo de veículos pela ABCR – equivalente a retração de 0,4% na comparação anual. Mesmo com todos os antecedentes em queda, a Tendências ainda aposta numa alta de 0,4% para a produção industrial em setembro, em relação a agosto, com ajuste (3% em relação a setembro de 2017). Segundo Lucas Silva, economista da consultoria, isso se deve a particularidades do ajuste sazonal e a uma certa “facilidade estatística” para o crescimento na margem, após dois meses seguidos de retração. Rodrigo Nishida, da LCA, acredita que os indicadores antecedentes que ainda serão divulgados, como a produção da Petrobras e os dados de metalurgia, poderão vir melhores do que os números já conhecidos. Assim, com uma melhora no refino de petróleo, com a retomada de 50% da produção da Refinaria de Paulínia (Replan), e também de parte da atividade em unidade da Usiminas que sofreu explosão em agosto, ele estima alta interanual de 0,5% da PIM-PF em setembro, ou queda de 0,1% na margem.
Para o trimestre, Nishida projeta alta de 3,7% na produção industrial, em relação ao três meses anteriores, com ajuste, devido à base de comparação fraca. Para 2018, sua estimativa atual é de um avanço de 2,5%, ante 4% esperados no início do ano. Segundo o economista, o terceiro mês no vermelho não muda a perspectiva de continuidade do avanço gradual da indústria, mas é um sinal de alerta. “Tivemos nos últimos meses uma série de fatores jogando contra a evolução da indústria”, afirma, citando o efeito da greve dos caminhoneiros sobre os indicadores de confiança, o impacto da crise argentina sobre as exportações, principalmente da indústria automotiva, além dos imprevisíveis acidentes na Replan e na Usiminas. Quanto ao quarto trimestre, Silva avalia que a base de comparação forte de 2017 dificulta um crescimento muito robusto, mas que a Black Friday e a assimilação dos resultados da eleição podem ser fatores positivos. Nishida acredita que os ventos contrários continuarão limitando à produção, mas que o resultado da eleição pode recuperar a trajetória da confiança e trazer novo fôlego para a indústria mais adiante. Os indicadores antecedentes do comércio ainda são poucos – faltam as vendas de supermercado divulgadas pela Abras, que têm maior peso para o setor. Isabela Tavares, analista de varejo na Tendências, avalia que as vendas de veículos da Fenabrave, com uma alta de 2,2% em setembro em relação a agosto com ajuste, sugerem mais um mês de varejo ampliado (que inclui as vendas de veículos, autopeças e material de construção) com desempenho melhor que o do restrito. Após uma surpreendente alta de 1,3% do varejo restrito na Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) em agosto – ante estimativa de 0,1% do mercado -, Nishida avalia que as vendas de setembro podem também ter o impacto positivo dos saques do PIS/Pasep. Já o Itaú Unibanco projeta preliminarmente uma queda de 0,4% para o varejo restrito em setembro e recuo de 1,2% para o ampliado. A instituição considerou para sua estimativa os dados de vendas de veículos, confiança de consumidores e empresários, o Indicador Serasa Experian de Atividade do Comércio e dados de inadimplência do SCPC.