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Impasse na reforma trava investimentos

O Estado de São Paulo 16/05/2019

À espera do desfecho das discussões sobre a reforma da Previdência, muitas empresas projetaram a melhora da economia e a retomada da expansão de seus negócios neste ano. “O ministro Paulo Guedes, da Economia, ao dar como certa a aprovação da reforma, criou uma expectativa no mercado, que ainda não foi concretizada”, diz Istvan Kasnar, professor da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Ebape).

Segundo Kasnar, as indústrias ainda sofrem impacto dos erros da política econômica dos últimos anos e podem ter seus resultados impactados por decisões que estão “na promessa”, como o caso da reforma da Previdência e o choque de energia barata. “Ao considerar a reforma da Previdência uma bala de prata para a recuperação da economia, o governo esquece que tem toda uma agenda maior de reformas que deve ser colocadas em prática”, diz ele, referindo-se ao déficit das contas públicas.

O ambiente de incerteza não contribui para que as empresas se animem a tirar investimentos do papel, segundo Roberto Padovani, economista-chefe do Banco Votorantim. Na dúvida sobre as reformas e a recuperação econômica, muitas companhias estão jogando para 2020 os projetos deste ano.

Vale e Petrobrás

Enquanto a maior parte dos negócios foi afetada pela crise da economia doméstica, outros melhoraram a rentabilidade, como energia elétrica, eletroeletrônicos e locação de veículos.

Alguns, porém, foram castigados por eventos específicos. O caso mais emblemático é o da mineradora Vale. O resultado da empresa foi afetado pela tragédia do rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, no dia 25 de janeiro, que resultou em 238 mortos até o momento. A crise da Vale acabou impulsionando os preços do minério de ferro e a própria mineradora foi beneficiada pelo movimento.

Diante dos altos custos para tentar minimizar o problema que causou, a Vale registrou prejuízo de R$ 6,4 bilhões, ante um lucro líquido de R$ 5,1 bilhões no mesmo período do ano passado. Os dados financeiros da Vale, no entanto, foram excluídos do levantamento da Economática – que mostrou uma queda de 5,7% no lucro líquido das empresas nacionais – porque distorceria os resultados, ampliando a retração.

Já a Petrobrás fechou o primeiro trimestre com lucro líquido de R$ 4,03 bilhões, resultado 42% menor que R$ 6,96 bilhões do ano passado. O setor de óleo e gás, que foi um dos que ajudaram a impulsionar economia entre 2004 e 2013.

O dólar valorizado garantiu o resultado de parte das empresas exportadoras – como as ligadas ao agronegócio, por exemplo. Mas nem as exportadoras estão imunes a “solavancos”: as companhias de papel e celulose, por exemplo, foram afetadas nos primeiros meses do ano ao preço baixo da commodity no mercado internacional. A área fechou o primeiro trimestre com prejuízo acumulado de mais de R$ 1,4 bilhão.

Bancos

O setor financeiro desponta como a exceção. O lucro dos bancos saltou de R$ 17,3 bilhões, nos três primeiros meses de 2018, para R$ 21,2 bilhões, no primeiro trimestre deste ano. Esses dados também ficaram de fora do levantamento para evitar distorções no resultado.

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